Por: Israel Campos
Imagens: (Gentileza de António Escrivão)


A análise em torno dos avanços e recuos do percurso da liberdade de imprensa em Angola, levou, ontem, a veterana  jornalista do Jornal de Angola e ex-secretária geral do Sindicato de Jornalistas Angolanos, Luísa Rogério, a participar da ‘Maka à quarta-feira’, que decorreu na União dos Escritores Angolanos, em Luanda.

Luísa Rogério apontou a liberdade de imprensa como sendo um elemento indispensável para se falar de democracia. Referindo que existe uma grande necessidade de se exigir mais dos órgãos de comunicação social públicos. Tendo, no final da sua explanação inicial, adicionado: “A liberdade de imprensa é um conceito que aglutina vários direitos. Basta um deles ser beliscado para falarmos em liberdade de imprensa condicionada.”

Liberdade de imprensa em Angola. Mais avanços ou mais recuos? Eis o que respondeu a veterana jornalista quando se lhe perguntava:
“Eu não vou dar uma resposta taxativa porque a questão não se resume a um simples: sim ou não. Quando os meios de comunicação social não reflectem todas as realidades do país, porque temos várias realidades, não podemos estar bem. Por um lado, temos Luanda, onde há maior abertura, maior pluralidade, onde há acesso diversificado às fontes de informação. Mas, por outro lado, temos 13 províncias onde a realidade não é a mesma. Cada jornalista tem a obrigação de municiar-se de vontade, de capacidade e de coragem para mudar…”, tendo em suma dito que “temos uma liberdade de imprensa mutilada, uma liberdade de imprensa a várias velocidades e é uma liberdade de imprensa condicionada por muitos factores dentre os quais de ordem política, de ordem social, de ordem económica e factores que têm a ver com o nosso passado histórico”.

A palestra propiciou a abordagens de distintos subtemas intrinsecamente ligados ao tema central proposto. O estado da comunicação social, a carteira profissional do jornalista, o jornalismo vs pseudo-jornalismo, os novos desafios do ramo, entre outros.

Em declarações à JdB, o secretário-geral do Sindicato de Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido, avalia em torno dos avanços e recuos do percurso da liberdade de imprensa em Angola, entende que tal carece de uma análise um pouco exaustiva. “Quando falamos em liberdade de imprensa olhamos para a possibilidade de eu, jornalista, escrever ou fazer uma peça noticiosa sem qualquer interferência”, refere. “Mas, a liberdade de imprensa é muito mais ampla. Quando falamos em liberdade de imprensa estamos a falar de, por exemplo, a legislação que nós temos se é ou não favorável à liberdade de imprensa, ou seja a criação de mais órgãos de comunicação?”. “É ou não favorável, por exemplo, ao facto de os jornalistas poderem ter acesso à informação com maior facilidade?”, rematando: “Eu não gostaria muito de dizer se estamos a avançar ou não, é com base nestas situações que nós temos de analisar, efectivamente, se nós temos uma liberdade de imprensa já ou se ainda estamos a caminhar”, concluiu.