Texto: Neliengue  Sancho


Chamam-se roboteiros, também conhecidos por ‘trabalhadores’ ou ‘primos’, maioritariamente provenientes da província de Benguela, os jovens que estão entre os 15 e 40 anos vivem em média 4 pessoas num quarto durante cerca de 10 meses, tempo em que ficam a angariar fundos para depois regressar ao convívio com a família levando além de dinheiro, material doméstico, roupa, calçados, motas e muitos outros bens comprados.

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Os jovens dedicam-se ao carregamento de bens de quem faz compra e lhe falte transporte pessoal, os necessitados recorrem aos ‘primos’ para dar uma ajuda imediatamente remunerada conforme o artigo e distância por meio de um carro-de-mão.
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A actividade começa por volta das 7 horas, conforme começou a contar Gabriel Tchiungo, o primo que veio de Benguela à procura de meios para sustentar sua família que mora no bairro Bela Vista, na cidade das acácias rubras. Tem 37 anos de idade, entrou na vida de “trabalhador” quando tinha 26, porque a vida em Benguela “não estava fácil” e viu-se obrigado a seguir o vizinho que fazia um vai-e-vem entre Luanda e Benguela.
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“Venho em Fevereiro e regresso em Dezembro passar as festas com os meus filhos e minha mulher”, disse Tchiungo que afirmou ser feliz com a vida que leva.
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 Adriano José tem 32 anos e nos últimos 6 anos a vida  tem sido entre Luanda e Benguela por conta do trabalho que leva a cabo.
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José fica na capital 4 meses e no quinto vai para Benguela ficar por uns 30 dias com a família, desfrutando do dinheiro que juntou nos 4 meses de trabalho. Com ele moram mais 3 jovens num quarto  que serve mais para dormir do que para viver conforme relataram
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Alguns trabalham de segunda a segunda, mas é de segunda a sábado que os jovens têm mais lucros levando normalmente 2 e 5 cinco mil kuanzas.
Actuam principalmente em mercados, paragens de táxis e em zonas comerciais, maior parte deles são provenientes de Benguela, mas há aqueles que vieram do Huambo, Kuanza-Sul, Bengo e do Bié.
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Os “trabalhadores” carregam, através do carro-de-mão caixas, sacos de fuba, arroz, roupas, arcas, banheiras, artigos com um peso considerável e até mesmo pessoas que em tempo de chuva não pretendem sujar os sapatos ou pisar em águas nas ruas.
Por norma esses jovens regressam em Dezembro nas terras de origem com um montante não revelado fazendo-se acompanhar de electrodomésticos, roupa, motorizadas, calçados, telemóveis e cosméticos.
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Dona Ângela, uma das senhoras que busca pelos serviços dos primos, enalteceu o trabalho desempenhado por eles, mas lamentou o facto de alguns deles não optarem por boa conduta porque quando chega altura de regressarem levam consigo pertences das clientes como botijas de gás ou outra mercadoria que lhes interesse.