Texto: Michel Candembo


Celebra-se hoje o dia mundial do ambiente e recordemos que a nossa capital já esteve no topo das mais limpas de África, foi concebida para albergar muito menos habitantes do que os aproximadamente 6 milhões actuais.

Esta é uma das razões prováveis para que a quantidade de lixo espalhado pela cidade seja grande, além de um sistema de recolha não tão eficiente (pelo menos aos olhos dos habitantes comuns), da insuficiência de carros e empresas sérias dedicadas à recolha e/ou reaproveitamento de resíduos e outros factores desconhecidos por nós mas que de certo existem. 

Os termos comparativos é que são bastante assustadores, uma vez que na época colonial Luanda era uma das cidades mais limpas de África e é considerada hoje (de acordo com pesquisas internacionais) uma das 5 mais sujas e mal estruturadas do mundo. 

Contudo é importante sabermos que a mentalidade de colonizador ainda existe e impulsiona algumas das grandes potências a imporem-se sobre as outras, influenciando em muitos casos as posições nestes ‘rankings’ indicadores de crescimento econômico e qualidade de vida. Não sabemos se no caso de Angola, as associações que têm autoridade para pesquisar e expor os dados agem de má fé e empolam os números, ou se expõem-nos com a transparência e a lisura necessárias em processos com esse nível de seriedade e aceitação. 

O facto triste é que sendo verdade ou mentira, não é bom darmos motivos para sermos manchete mundial sempre que se tratam de coisas negativas, e no caso lixo, por exemplo, se este não estivesse espalhado por várias artérias da cidade, não seria nunca fonte de notícia em nenhuma paragem mundial. Portanto a atitude correcta a tomar não é o vitimismo, e sim reflectir e repensar as políticas ambientais, num dia tão especial como é o cinco de Junho