Albino Tchilanda


O kudurista do grupo Caixa-baixa, conhecido como ‘Magnésio do Tchiriri’, revelou ontem à JdB o lançamento de novo álbum, que já tem mais de 14 músicas e que, por isso, “não está morto”, garante. Dentre outras revelações, Magnésio disse que fez o Tchiriri com 800 kwanzas, na altura, tendo precisado de duas horas para o hit, do qual acrescentou lhe ter catapultado de tal forma que, revela, nunca esteve fora dos palcos.

O jovem kudurista de um dos maiores sucessos de Kuduro, “Tchiriri” e “Bate no peito” (2004) do seu único álbum até agora “Promessa é divida” de 2007/2008, e ausente do público há mais de 10 anos, em conversa com a JdB, na última sexta-feira, 2,  justificou sua ausência pela dificuldade que tem em conciliar a profissão de bancário com o palco.

O kudurista disse que também domina outros estilos, como Semba e Zouk e   sente que já não pode pisar em qualquer palco, mas promete aos fãs que, em breve, volta ao mercado com novos sucessos.

O músico, que se tornou notável por introduzir novas batidas e ritmos nesse género através dos sucessos “Tchiriri” e “Bate no peito”, por enquanto encontra-se a exercer a actividade bancária numa das agências da capital.

Walter Monteiro Albuquerque mais conhecido por Magnésio agora com 33 anos de idade, começou a cantar aos 18 no grupo Caixa-baixa, no Rangel, onde nasceu.

Actualmente vive no Marçal, lembrou à JdB que o sucesso que obteve nas suas composições deve-se ao seu grande amigo e produtor Stelão que, com 800 kwanzas na altura pagou a gravação da música “Tchiriri” que o tornaria num dos cantores angolanos mais conhecidos da época 2004/2007.

O artista revelou à JdB que o nome “ Magnésio” foi atribuído por um colega do IGCA, Instituto Geográfico e Cadastral de Angola, por causa da paixão que o músico nutria pela Química.

Perguntado se conseguiria alcançar a mesma fama que obteve em 2004 depois de tanta ausência, o cantor ripostou que nunca esteve fora dos palcos, porque até hoje suas músicas continuam a ser ouvidas nos táxis, festas e bares. “Uma festa sem o Tchiriri não é festa. Eu já fui a uma festa em que o público ficou a pedir a minha música”, precisou.

O jovem disse ter precisado de apenas duas horas para escrever a música “Tchiriri”, que lhe levou à ribalta e o tempo que o novo álbum está a levar fará com que tenha mais novidade.  

“Em menos de duas horas escrevi o Tchiriri. Não sabia que teria todo o sucesso que teve. Inspirei-me na música “Ai ndombolô, ai ndombolô, ai ndombolô yessa!” do Puto Agressivo e Kamba Toy”. “Os fãs vão viver outros momentos com o Magnésio”

Segundo o menino do Rangel, “Tchiriri” tem um significado “muito especial” para os jovens, por representar uma época de muita turbulência em Luanda e esclareceu que não tem nada a ver com violência, mas paz. “‘Tchiriri’ significa está tudo bem”, explicou.

O compositor recorda dos momentos de intriga que seus sucessos causaram no seio de outros kuduristas. “A minha música já foi roubada pelo ‘Puto Herói’. O ‘Tchiriri’ foi gravado em Junho de 2003, mas como não tinha publicado muita gente pensava que era do “Puto Herói”.

O músico lamenta o imediatismo de muitos kuduristas de hoje por se preocuparem em cantar asneiras. Enquanto jovem, o músico foi retirado do palco pelo pai, porque este achava que no kuduro o pequeno Walter não teria sucesso.

“Os ‘Caixa-baixa’ surgiram no mesmo tempo que os ‘Lambas’. Já fui acusado de vender minha música ao kudurista “Costeleta de Porco”, referiu.

Magnésio diz ter chegado a lançar um álbum, mas não chegou a vender na portaria da RNA, como se fazia antes, por causa do mau entendimento que se tinha do kuduro.

“Produzimos oito mil cópias e todas foram esgotadas na portaria da rádio LAC”, lembrou.  

Com o “Tchiriri”, o artista conheceu países como Alemanha, Portugal, Bélgica, mas também teve outros sucessos. Nesta nova época o músico terá pela frente um grande desafio em conciliar a música com a actividade bancária.