Por: Neliengue Sancho


Devemos  reconhecer que estudar não é fácil, principalmente quando se trabalha, agora, imagina ter que morar numa cidade e estudar noutra, aí exige do estudante triplicar o esforço físico, mental e também implica ter disponibilidade financeira infalível, pois, viajar de 15 em 15 dias, dispor de material didáctico com objectivo de tapar lacunas deixadas no momento que o estudante estiver a trabalhar na província onde mora, ligar para os colegas a fim de se informar do que se tratou nas aulas anteriores requer mesmo dinheiro. Trazemos histórias de Daniel Filipe e Natividade Londjala, que passaram pelas experiências.

A busca ao conhecimento algumas vezes faz com que muitas pessoas adoptem por uma vida de nómada num período que vai entre 3 e 6 anos. Conciliar os estudos vivendo numa cidade enquanto trabalha e mora em outra não é tarefa fácil. Daniel Filipe, de 48 anos, trabalha no município de Cassongue e mora na cidade do Sumbe (ambas na província do Kwanza-Sul) e está a terminar formação em Luanda.

A cada fim-de-semana percorre mais de 100 quilómetros de Cassongue ao Sumbe para cumprir com as suas obrigações de pai e marido, entretanto, sua obrigação enquanto estudante é reservada para de 15 em 15 dias viajar rumo a capital onde normalmente tem ficado cerca de duas semanas longe da família e do emprego.

Para o futuro jurista o comprometimento e a firmeza naquilo que se quer são elementos essenciais no processo que ele mesmo, sorrindo, chama de “batalha árdua”.

Não são apenas os homens que com sacrifício buscam o chamado “canudo”.

Natividade Londjala terminou recentemente sua licenciatura no curso de Direito na Universidade Agostinho Neto, em Luanda.

A agora jurista mora e trabalha na província do Kwanza-Sul, mas durante cerca de 6 anos sua vida foi vivida entre Sumbe e Luanda.

Segundo a jovem, não é fácil conciliar os estudos, o trabalho e a família em províncias diferentes porque exige muito da pessoa, mas é possível desde que se tenha metas traçadas, refere.

“Chorei quando finalmente recebi o diploma no dia 20 de Julho de 2017. Mesmo que descreva nunca alguém irá sentir o que senti ao longo da minha formação”, disse, trémula.

Hoje a jurista diz que valeu a pena “os rios” de dinheiro que deixou nos meios de transporte interprovinciais que foram como uma âncora durante os anos de formação “o sabor de ter nas mãos um sacrificado diploma não se compara às noites mal dormidas, ao dinheiro gasto e ao esforço que o estudo em províncias diferentes exige” finalizou exibindo o certificado.

Assim, fica clara a ideia de que é possível sim morar e estudar em províncias diferentes, desde que se tenha em vista os objectivos de vida da pessoa.
“Com fé e determinação o impossível torna-se possível”, conclui Natividade Londjala.