Por:Neliengue Sancho


A globalização, com as suas evoluções,  fez, por exemplo, com que a forma de conquistar uma mulher passasse da responsabilidade da família para a própria mulher, onde telemóveis, viagens, saldos e cervejas ocupam o lugar da carta que levava cerca de uma semana para chegar, recado que a  prima demorava a dar, combina de um horário e local de encontro e outras mais atitudes simbólicas que se vão apagando pelo tempo. Senhoritas doutros tempos alertam que como os bens materiais “não valem um pouco do sabor que tinha de receber uma carta, uma flor…”. E os antigos “raparigos” observam e recordam os rapazes de hoje “nunca saberão o que é conquistar de verdade uma mulher com uma carta, flor, recado que o amigo leva e demora dias a trazer a reposta enquanto tu morres de ansiedade”.
Antigamente os géneros não tinham a oportunidade de trocar impressões para formar um casal, este papel recaía nas mãos da família tanto do homem quanto da mulher.
Vendendo banana assada e jinguba, a senhora Arminda de Jesus recebeu a nossa equipa de reportagem com alegria e sorriso característico de quem está satisfeita pelas etapas passadas na vida.
Com os seus 87 anos, a senhora parece uma quarentona, diga-se. Questionada sobre o que sente saudades na forma como as mulheres eram conquistadas ontem, avó Minda, como é tratada, contou-nos que sente saudades de levar recados do pretendente da prima ou da amiga.
Sorrindo confessou: “eu já levei muitos recados e cartas, mas o bom nisso é que as minhas primas e amigas de alguma forma me pagavam”, confessou.
Avó Minda acrescentou ainda com uma expressão triste “nos dias de hoje você só conhece o namorado da filha, prima ou sobrinha depois de lhe engravidar” abanou a cabeça, advertindo que os telemóveis, jantares, viagens e tantas outras coisas com as quais as mulheres de hoje são conquistadas, não valem um pouco do sabor que tinha de receber uma carta, uma flor, um recado ou um sinal qualquer a combinar um encontro com o apaixonado pretendente.
Outro idoso, de 92 anos, residente no bairro Benfica, em Luanda, considerou que a fase em que as famílias escolhiam os maridos e mulheres dos filhos tudo era diferente e havia mais respeito em relação aos dias de hoje em que mulheres são conquistadas por pessoas que estão longe e sem conhecer bem a pessoa e sem o conhecimento dos parentes ela aceita até envolver-se sexualmente no primeiro encontro.
“Não posso dizer que o nosso tempo foi o melhor, mas posso lhe garantir que os jovens de hoje, principalmente os rapazes, nunca saberão o que é conquistar de verdade uma mulher com uma carta, com uma flor, com um recado que o amigo leva e demora dias a trazer a reposta enquanto tu morres de ansiedade” referiu.
Alguns jovens dizem que se pudessem viveriam no tempo dos avôs apenas para se ter uma ideia de como funcionavam as conquistas, mas, reprovam a ideia de ter de esperar dias para ter um “sim, podemos conversar” e a mesma levar dias para acontecer, entretanto, lamentam também o facto de muitos homens actualmente não herdarem um pouco dos bons hábitos no âmbito te conquistar uma mulher como oferecer uma rosa ao invés de um saldo, convidar para jantar em casa com a família ao invés de levá-la em uma hospedaria ou dar um urso no lugar de um celular.