Cerimónias são importantes na cultura africana tanto na tradicional como na moderna. As cerimónias mais comuns são aquelas que comemoram e anunciam as diferentes fases da vida. O parto e a associada cerimónia de nomeação anunciam a chegada de uma criança ao mundo, a iniciação assinala a entrada dos adolescentes na vida adulta e os ritos de transição prepararam os mortos para a vida após a morte, estas cerimónias como muitas outras são importantes costumes tradicionais.

Um dos mais importantes costumes tradicionais africanos é o rito da puberdade (Iniciação da Puberdade). Neste rito, rapazes e raparigas que chegaram à idade apropriada são iniciados na fase adulta das suas vidas. Este rito é destinado principalmente a preparar os jovens para os seus respectivos papéis sociais como adultos. Os ritos de iniciação são elaborados durante várias semanas e terminados com dias de festa para toda a comunidade.

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Em Angola, por exemplo, a iniciação é praticada por vários grupos: Ganguela, Tshokwe, Nhaneka-Humbe, Ambó. A menina deve ser iniciada quando lhe aparece a primeira menstruação. Em alguns grupos, iniciam-nas antes e, noutros, depois de passar dois anos ou mais, associando-as ainda ao contrato matrimonial.

Em alguns grupos, estes ritos duram meses e até anos. Assim as instruem e preparavam para as funções femininas. Noutros, normalmente duram poucos dias, apenas três ou quatro. Reduzindo-se a uma cerimónia única que são realizadas nas aldeias e na casa paterna. A menina deve apresentar-se virgem nestes ritos, ao contrário, sofre vexações e paga uma indemnização, além de atrair a vergonha para a sua mãe, responsável por sua educação e para toda a família.

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O ritual de puberdade feminina é realizado por quase todos os grupos étnicos africanos, com excepção de um ou outro grupo em que a passagem para a adolescência não é seguida por algum tipo de tortura ou humilhação feminina.

Algumas tribos dos Camarões, Nigéria e África-do-Sul, por exemplo, ainda praticam o ato chamado por eles de Breast ironing, com o objetivo de tornar os corpos das adolescentes “menos feminino”. Trata-se de uma assustadora técnica de “achatamento” dos seios das pré-adolescentes (11-15 anos) que ainda estão em desenvolvimento. A justificativa para o ato é protegê-las de estupro e assédio sexual. A prática, que é pouco divulgada, já agrediu 3,8 milhões de mulheres ao redor do mundo, de acordo com um relatório da ONU.

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Em Angola, na região do Namibe existe a festa da Puberdade conhecida por “Efiko” que marca a passagem da rapariga para a vida adulta, sendo que quem não passar por este ritual é considerada uma mulher sem valor, uma mulher azarada perante a tribo e incapaz de gerar uma criança com vida.

No Sul do Malaui, região no leste africano, homens chamados de Hiena são contratados para fazer sexo com meninas que acabaram de chegar à puberdade. O motivo? Para os moradores da região, essa prática é um ritual de “purificação” e toda aquela menina que aos 12 anos atingir a puberdade e recusar-se a ir para cama com um homem de quase 40 anos ou por vezes mais velho chamado de Hiena é recusada pela família, pois está a amaldiçoar a mesma.

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Entre os Nilotes, uma outra tribo que se encontra espalhada pelo leste da África, um recurso de atracção física é a extracção de pelo menos dois dentes incisivos quando os jovens chegam à puberdade. Outras práticas relativas aos dentes, incluem tingi-los, limá-los, cerrá-los, perfurá-los ou adorná-los.

Na Serra Leoa, Somália, Quénia e entre outros países africanos a mutilação genital é comum para jovens meninas na fase de transição para a vida adulta, este processo inclui a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos além da costura da vagina, sendo um ritual em que os anciões acreditam estarem a reduzir o apetite sexual da mulher, colaborando assim para que a honra da família não seja manchada antes do casamento.  Este ritual é um dos mais antigos que existe e mesmo sendo ilegal em alguns países há tribos que até ao momento, não baniram o mesmo.

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Estamos a falar de pessoas que vivem culturas muito diferente das nossas actualmente e que têm crenças que nos sãos completamente estranhas, mas até que ponto questões culturais devem ser propagadas sem interferências? Esse ritual de “purificação”, por exemplo, é conhecido também por espalhar diversas doenças sexualmente transmissíveis, além, é claro, de atestar como normal o que não pode ser chamado de outra coisa além de violência sexual, muitos destes rituais que já levam décadas são vistos atualmente como episódios bárbaros de violação dos direitos das mulheres em África.

As consequências para a saúde de raparigas que estão agora a entrar para o mundo adulto e têm que passar por tais ritos são diversas tais como cancros, infecções, febre severa devido ao uso de instrumentos desconhecidos, gravidezes precoces e em alguns casos até a morte.   As vítimas ficam para sempre traumatizadas e mutiladas, uma vez que não é só a sua integridade física que é estropiada, mas também o seu bem-estar social e psicológico.