Por: Albino Tchilanda

  Imagem: Angop


O líder religioso e presidente do Fórum Nacional da Juventude Religiosa, Antunes Huambo, lamentou, na tarde desta quinta-feira, em Luanda, o facto de haver uma parte considerável dos jovens cristãos que praticam sexo antes do casamento, enquanto as famílias continuam a defender que a mulher deve casar-se virgem para que no dia do pedido se possa acrescentar mais grades na carta, enquanto alguns jovens consideram normal o sexo antes do casamento, para se ganhar mais experiência, evitando a falta de táctica ou ejaculação precoce, que pode causar divórcio em 1 ou 2 dias depois do casamento.

Em algumas regiões angolanas a virgindade é encarada como trunfo, por isso, as famílias vão fazendo de tudo para preservar a flora da filha e assim, evitar que no dia do alambamento, as tias do noivo profiram palavras que despertem sua desonra. Noutras famílias este assunto é do passado e por isso consideram normal fazer relações sexuais antes do enlace matrimonial.

No Cazenga fomos à procura do Presidente do Fórum Nacional da Juventude Religiosa, o Revendendo Antunes Huambo. O pastor, aberto e de trato fácil, convidou a equipa da JdB para ir ao Gamek, junto ao Banco BAI, onde se encontrava seu escritório, onde viria revelar-nos aque a maior parte dos jovens que pratica sexo antes do casamento é religiosa.

“As famílias devem conversar mais com os filhos sobre o sexo e eliminar os  tabus. Não são só os não cristãos que fazem o sexo antes do casamento até porque parte dos jovens que pratica sexo antes do casamento é cristã, isto porque as famílias religiosas vivem proibindo seus filhos e o resultado é este, infelizmente”, lamentou.

O revendendo apelou aos jovens a não se preocuparem com a falta de experiência porque, segundo entende, a natureza sexual do homem leva-o a explorar tudo, mas, continuava a defender, o sexo só depois do casamento, por causa das consequências negativas que o acto pode trazer.

“O sexo mesmo só depois do casamento, porque quem já faz ou fez sente-se inferior em relação ao que não fez”, defendeu o reverendo.

 Aquele líder juvenil chamou a atenção das famílias religiosas para não confundirem o papel da religião com o da família porque, na sua opinião, várias famílias acham que a religião é tudo e colocando ali as crianças basta, o que não é verdade.

Virgília Maria Tchissapa é uma das jovens entrevistas pela JdB sobre o assunto. A estudante de 22 anos vive no bairro Caop B, em Viana. Surpreendida com a equipa de repórteres, depois questionada sobre o assunto a jovem da 11ª classe revelou ser um exemplo do tema, porque vai casar-se ainda este mês e acabava de sair em casa da madrinha.

“ Coincidência porque vou casar-me daqui a duas semanas. Fui mesmo tratar disso há pouco tempo com a minha madrinha”, aparentemente agitada exprimia-se.

A noiva conheceu seu parceiro há dois anos quando saía da escola, admirada com o atrevimento do repórter ao questionar se estava a se casar virgem, a rapariga fez um suspiro, seguido de uma pausa, olhando para o chão, acenou a cabeça positivamente com um sorriso no rosto.

Disse ter conseguido manter-se assim devido a fé que professa. Questionada se não estava a se casar tão cedo por causa do sexo, uma vez que está apenas com 22 anos, a  jovem noiva respondeu que não.

“Não me estou a casar por causa do sexo. É porque eu mesma quero. já estamos há dois anos e isto já é suficiente. Conhecemo-nos tão bem”, sustentou.

A estudante acha que sua inexperiência sexual não vai atrapalhar seu relacionamento, mas revela estar “muito” ansiosa para ter seu primeiro momento.

A conversa, que de princípio seria de 2 minutos, ganhou espaço e estava  cada vez mais interessante. A futura noiva admitiu não ter sido fácil resistir depois de tanto tempo de tentações, mas garantiu nunca ter feito nada mesmo quando esteve excitada de mais, o que não aconteceu com o seu namorado.

“Dia e noite penso em como vai ser aquilo. Estou muito agitada, mas também já aguardei por muito tempo. Posso não ter tanta experiência. Isso não vai mudar o nosso rumo”, afirma.

Contudo, seu futuro noivo, Ernesto Kiluanje, discorda e apresenta suas razões. Para o jovem de 27, que vive em Malanje, considera normal ter relações sexuais antes do casamento porque, segundo defende, permite aos casais ganhar mais experiência e deixa os namorados mais interessados na relação e argumenta que parte dos jovens que consegue permanecer fiel e esperar manter um contacto sexual depois do casamento vive se masturbando, e ele revela ser um exemplo disso.

“A minha noiva está em Luanda e estou aqui a trabalhar. Vamos nos casar dentro de tempo, mas não tem sido fácil. Houve momentos que fui obrigado a fazer coisas estranhas. Infelizmente já me masturbei, mas isso nunca mais vai acontecer”, arrependeu-se.

Outra entrevistada que falou sobre o assunto é Onília Gaivota, de 43 anos. A senhora, que na altura estava no mercado da BCA, no distrito do Cazenga, com os sacos de compras na mão, foi muito resumida depois de uma pergunta provocante.

“Há famílias que se aproveitam das suas filhas, principalmente, as virgens para cobrar o dobro no dia do pedido. Ah você não sabe!?”, riu-se ante a ignorância da nossa equipa e pôs-se a caminhar.