Por: Redacção 


Viver com o cônjuge, em união de facto, com amigos, sozinho e todas as outras alternativas desde que seja o contrário de adultos continuarem em casas em que foram criados para estarem sob a própria conta e risco é considerado por muitos um acto difícil e de “grande coragem”. Algumas pessoas partilharam esta experiência connosco. 

Emílio Kiala, de 27 anos de idade, é casado há 3, vive com a esposa e uma filha desde o princípio de 2014 e conta que não é uma tomada de decisão fácil, porém é compensadora no seu entender. “Quando temos família na nossa responsabilidade as coisas mudam. Não é fácil ser pai de família e saber que agora o que ganho tenho que me desdobrar para chegar para mim e para casa. Mas não me arrependo porque olho para a criança e ela consegue ter o mínimo que nem eu tive e isso me dá alegria e me faz feliz e realizado. No princípio tudo é muito difícil mas depois de muita luta as coisas se encaixam”, entende. 

Sete Domingos é mãe solteira e vive no distrito do Rangel com os seus dois filhos, considera que para ela a vida de mãe solteira “é complicada”, tendo-se agravado nesses tempos de crise em que não se consegue mais fazer as viagens regulares para o Brasil ou para a China, refere-se ao negócio. “Saí da casa da minha mãe muito cedo, eles vivem mesmo aqui no Marçal mas senti necessidade de ter o meu espaço. Éramos muitos e com a minha primeira gravidez senti que não tinha como estar lá”, recorda acrescentando que depois começou a vender roupa masculina da Namíbia, “mas depois fazia Brasil e aguentei o meu primeiro filho na escola com esse dinheiro”, contou. “Quando estávamos entre o Brasil e depois a China as coisas melhoraram, não sentia muita dificuldade em viver solteira e eu até é que ajudava a minha mãe e alguns irmãos, mas as viagens pararam e os pais (das crianças) não ajudam. Vou-me virando com o pouco que tenho, hoje um processo amanhã outro, e assim vai indo”, lamenta. 

Ulumbo Francisco é contabilista, tem 25 anos e trabalha para uma multinacional na área das finanças, auditoria e contabilidade. Vive com mais dois amigos, um que é colega de serviço e outro bancário que também foi seu colega na universidade. Ulumbo morava no bairro Hoji Ya Henda, Cazenga, com a família mas assim que entrou no mercado do emprego decidiu por uma questão de privacidade e independência viver com mais duas pessoas com quem sempre teve boas relações. Sobre a atitude incomum esclarece “chega uma altura em que as pessoas precisam de tomar um rumo. Tenho uma boa relação com a minha mãe, mas há coisas que ela não gostava que fizesse mas que eu tinha vontade de fazer só que devia respeitar por não estar na minha casa”, lembra. “Partilhei essa ideia com os amigos desde antes de começar a trabalhar e todos sempre tivemos este objectivo, hoje conseguimos e não desperdiçamos a oportunidade. É menos pesado para nós porque a renda e as outras despesas são divididas em três”, partilhou.