Texto: Adalmira Ekuikui


 

O Sindicato dos Professores Angolanos (Sinprof) decide este sábado se avança com um segundo período da greve, entre 24 de Abril e 5 de Maio, denunciando “retaliações” devido à primeira paralisação, de três dias, este mês.

O presidente do Sinprof, Guilherme Silva referiu que “com certeza sábado haverá uma decisão, se avançamos ou não para a segunda fase da greve”, Entretanto, segundo o responsável, tudo leva a crer que os mestres vão avançar para mais uma paralisação. “Daí que vamos reflectir com os representantes de outras províncias em função das medidas tomadas pelo governo. Depois da reunião teremos um expediente que vamos remeter segunda-feira ao ministério”, explicou Guilherme Silva, em declarações esta sexta-feira ao Rede Angola.

Entende ser “insuficientes” as soluções apresentadas pelo Ministério da Educação numa reunião na terça-feira, em Luanda. “Estamos a avaliar as medidas que o Governo tomou face à declaração de greve, estamos a analisar isso com os secretariados provinciais do Sinprof, com os quais reuniremos no sábado, no sentido de tomarmos uma posição definitiva”.

O Sinprof aguarda desde 2013 por respostas do Ministério da Educação e das direcções provinciais de Educação ao caderno reivindicativo, nomeadamente sobre o aumento do salário, a promoção de categoria e a redução da carga horária, mas “nem sequer 10 por cento das reclamações foram atendidas”.

O primeiro período desta greve interpolada no ensino geral aconteceu entre 5 e 7 de Abril e fez-se sentir especialmente em Luanda, com escolas fechadas por toda a província, havendo relatos dos sindicalistas sobre represálias por parte de várias direcções escolares, inclusive com afastamento de docentes.

O responsável sindicalista mostrou-se preocupado com os representantes do Sinprof no Kwanza-Sul, onde as “autoridades policiais e o serviços de inteligência intensificaram a sua acção repressiva”, em particular nos municípios de Ebo e Kibala. Para Guilherme Silva as acções constituem uma “retaliação contra os professores que aderiram à recente greve nacional”.

Guilherme Silva considera ainda “insuficientes” as medidas do governo, ante as reivindicações dos professores, e admitiu mesmo que tudo aponta que a segunda fase da greve deve mesmo avançar.

O ano lectivo de 2017 arrancou oficialmente a 1 de Fevereiro, com quase 10 milhões de alunos nos vários níveis de ensino geral, decorrendo as aulas até 15 de Dezembro.