Por: Albino Tchilanda
Imagem: D.R.


O último sobrevivente do naufrágio da embarcação artesanal que transportava cinco pescadores na província de Benguela, Faustino Luís, que era dado como morto,  apareceu, na noite de ontem, quarta-feira, na zona marítima do Namibe depois de ter ficado três dias a boiar no alto-mar, na tampa de uma arca frigorífica que era usada para conservar peixe.

O pescador Faustino Luís até agora o último dos dois sobreviventes, traumatizado, contou à JdB como durante os dois dias ficou a boiar no alto mar, no terceiro dia esteve cansado e decidiu nadar, mas a força das ondas e calemas eram maiores que a sua e por isso foi levado para as orlas do Namibe e depois salvo por um navio namibiano.

“Depois de dois dias a boiar  no mar no terceiro decidi nadar, mas fiquei sem força. Eu sabia que a terra era distante. Não sei como ouvi o rumor de um motor e comecei a gritar”, traumatizado relatava.

O jovem explica que ele e mais cinco pescadores saíram por volta das 18 horas do Lobito  para as habituais actividades de pesca artesanal com o seu barco “Lusi ‘Amélia”, mas o mau tempo obstruiu a viagem, às 23 horas de sábado afundaram e não consegue se lembrar onde foi que isto aconteceu.

Um outro sobrevivente, o mestre Miguel, que passou dois dias dentro de uma arca de gelo, mas que também teve a sorte de viver, foi apresentado na terça-feira pelo Corpo de Bombeiro local. o pescador também traumatizado contou que em via só havia restado três pescadores: ele, um outro mestre e o jovem.

“Quando conseguimos entrar no fundo com o barco, os dois pescadores afundaram com o barco e só restamos os três, eu o mais velho e o jovem e já não vi mais  nada”, contou.

Mestre Miguel explica que depois de terem afundado tiveram que se separar. O jovem Faustino foi sozinho e ele e mais um outro pescador tiveram que juntar força para conseguir sair daí, foi então que subiram por cima da arca e rumaram em direcção à para a província do Kwanza-sul a nadar.

“O jovem Faustino desapareceu, eu e o mais velho tivemos que nos ajudar até que chegamos no Kwanza-Sul a nadar. O mais velho ficou cansado e já não aguentava mais, era muito sacrifício e o mais velho não aguentou, tentei lhe ajudar, mas ele acabou por morrer na minha mão”, testemunhou.

Mestre Miguel acrescenta que depois de o amigo morrer de fadiga, as calemas e ondas começaram a empurrá-los para a deriva, foi aí que decide colocar o seu colega de trabalho, já morto, na arca mas caiu e então entrou ele mesmo na arca para se salvar e chegou a 10 Brasas, no Egipto -Praia, ao norte do Lobito.

Nessa altura continuam as buscas para se localizar os outros três pescadores, que seguiam a bordo desta embarcação marítima.