Por: Neliengue Sancho

Imagem: DR


Ainda na senda do mês dos pequenos em todo mundo, a equipa da Jovens da Banda foi à província do Kwanza-Sul testemunhar um acto exemplar criado por um grupo de taxistas: alunos a baixo dos 12 anos beneficiam de transporte gratuito naquela cidade, cobrando apenas “futuro brilhante”, aliviando, deste modo, cerca de 600 kwanzas diário do bolso das mães que têm mais de uma criança ou que moram  distante da escola, valor que nem sempre conseguem nas vendas no mercado da feira, municipal, paragens de autocarros e outros lugares onde todos os dias lutam para custear as necessidades dos filhos enquanto alunos.

O sol nascia por voltas das 8 horas, a poeira (típico da cidade do Sumbe) quase que nos impedia de ver quem estivesse a 2 metros de nós. No centro da cidade, bairro ‘Feira’,  na manhã’ de hoje, a JdB conversou com alguns desses alunos para melhor entender como funciona o “contrato” feito por taxistas e  alunos.

Junto da nossa equipa desceram do táxi do “tio Mau” (como eles  o tratam), os pequenos Samuel e João, de 10 e 9 anos, os baixinhos confirmaram que todos os dias são transportados à escola a custo zero, mas em troca, motoristas e cobradores pedem aos alunos que se engajarem nos estudos para ter um  futuro brilhante. “Os moços levam-nos sem cobrar o preço da corrida, mas pedem-nos um favor: estudar para ter um futuro brilhante”, disse o menino que estuda a sexta classe na escola ‘Felisberto’, no município do Sumbe.

Na cidade, também conhecida como a cidade da poeira e da lama, conversámos ainda com alguns taxistas: Identificado apenas por Man Lola, que fazia a rota Estaleiro-Feira, sorridente, o jovem da banda disse que não gosta de falar dos favores que presta aos mais pequenos por não lhe parecer modesto, indicou seu colega, o cobrador, a fim de tecer algumas palavras sobre o gesto. Por sua vez, Miguel Cameia sentiu-se intimidado, em princípio, com o nosso aparelho gravador, mas pôde considerar que “levamos as crianças sem cobrar para ensiná-las sobre solidariedade e porque também elas são o futuro do amanhã, ajudando desta forma as nossas mamães lá de casa que muitas vezes não conseguem dinheiro para os filhos irem à escola”, explicou o taxista, acrescentando em tom de brincadeira e pedindo “mas não me apresentem na televisão porque o nosso chefe não se sente feliz quando prestamos solidariedade a essas crianças”, sorriu.

Seguimos viagem até ao mercado municipal do Sumbe, onde conversámos com a senhora Amisdália de Fátima, que tem três filhos a estudar na escola do bairro Chinho, a vendedora louvou o gesto dos jovens taxistas, apelando aos outros trabalhadores dos azuis-e-brancos do Sumbe e do país a se juntarem a esse pequeno grupo com fim de ajudar aquelas mães que fazem do pouco o muito para terem os filhos na escola.

E você, caro leitor, neste mês de Junho e não só, o que tem feito em prol das crianças?
Ajuda a atravessar a estrada?
Dá um abraço?
Enxuga suas lágrimas?
Dá de beber ou de comer quando a encontra com os lábios secos?
Mude suas atitudes e ofereça a uma criança um sorriso, um chupa-chupa, um abraço, um livro, acima de tudo, ofereça seu amor e não o faça apenas em Junho, faça-o todos os dias.