A história que trazemos hoje, é a do jovem Marcos Paulo de 28 anos de idade, natural da província de Cabinda. Certamente, muitos de nós já ouvimos o ditado “a vida dá muitas voltas”, infelizmente para Marcos Paulo, a vida deu uma volta de 180 graus, ainda assim, Marcos continua firme e não desiste de lutar pelos seus sonhos.

Marcos Paulo que é proveniente de Cabinda como já referimos, é actualmente pai de dois filhos e vive maritalmente. Marcos contou-nos que saiu de Cabinda quando era ainda um adolescente tendo imigrado para a Europa onde viveu entre a França e a Bélgica.

Na Europa, Marcos tinha o sonho de ser um grande jogador de futebol, tendo até treinado em alguns clubes europeus de escalão baixo. Quando frequentava o primeiro ano da universidade e almejava uma carreira futebolística no velho continente; Marcos teve que regressar à Angola (Cabinda) às pressas para tomar conta da sua mãe que encontrava-se muito doente em consequência de um ataque cardíaco. Algum tempo depois a mãe acabou por falecer.

Marcos viu o mundo desabar sobre a sua cabeça, porque a sua mãe era a única pessoa que o apoiava, visto que não chegou a conhecer o pai. “Estava sozinho, não tinha ninguém e já não tinha nada para sobreviver” afirmou Marcos com uma expressão facial de profunda tristeza.

Após a morte da mãe, Marcos começou a procurar emprego e a bater portas de alguns familiares para poder garantir o seu sustento, mas sem sucesso. Assim sendo, decidiu vir para Luanda afim de tentar a sua sorte. Já na cidade capital, a adaptação foi muito difícil, por não estava habituado a não ter nada…

Depois de várias tentativas falhadas para arranjar um bom emprego, Marcos deixou o orgulho de lado e para sobreviver começou a vender relógios e perfumes pelas ruas de Luanda, mas confessa que sempre quis vender algo relacionado ao vestuário, que sempre foi a sua paixão. Devido à sua forma irreverente e única de se apresentar, mesmo quando “zungava”, conheceu alguns vendedores de roupas que simpatizaram de imediato com o ele e o levaram para um lugar onde vendiam roupas a bom preço com o objectivo de mostrar  o “canal” a Marcos e igualmente receber alguns conselhos do jovem vaidoso da terra da floresta do Maiombe. “Aprendi a vestir com a minha mãe que muito investia em mim e quando imigrei para Europa a minha paixão por vestuários aumentou ainda mais”, disse Marcos.

Marcos começou por auxiliar os seus amigos vendedores e posteriormente passou a vender calçados masculinos por conta própria. Actualmente, trabalha como vendedor ambulante de calçados há sensivelmente quatro anos e com o lucro das vendas sustenta os seus dois filhos com a ajuda da sua esposa que é igualmente vendedora, mas de cosméticos. Num dia considerado bom, Marcos pode vender até cinco pares de calçados e nos dias maus pode regressar a casa sem nada. O nosso jovem da banda confessou que ainda vive em estado de pobreza e sobrevive como pode, porém, tem fé que a sua situação mudará algum dia.

Situação esta que mudará porque acredita no seu sonho de ter um espaço comercial dedicado à prestação de serviços necessários para o corpo, em particular a aparência, como um ginásio, um SPA, uma loja de roupas masculinas e femininas bem como um restaurante. Até lá, Marcos disse estar ciente que ainda tem um longo caminho a percorrer para concretizar o seu sonho e que ainda deve enfrentar as dificuldades que encara como vendedor ambulante. “Ser vendedor é cansativo e duro. É ficar de pé das 12 horas até às 18 horas. Tenho de fazer muito esforço para poder regressar no dia seguinte. E na rua, às vezes aparecem os malandros que fazem confusão, mas é a vida. O homem tem que estar preparado para viver isso tudo. A vida do homem não pode ser perfeita. Ate Jesus sofreu”.

Marcos que prometeu à nossa revista nunca desistir do seu sonho, aproveitou a ocasião para deixar um conselho a todos os jovens da banda que assim como ele são seres trabalhadores e orgulham-se do que fazem mesmo não sendo o emprego dos seus sonhos: “Todos os meus irmãos angolanos têm de levantar e acreditar. Têm de trabalhar e prosperar, porque a vida não se faz de uma Segunda à Sexta. A vida precisa de uma longa luta, de muito esforço e os meus irmãs angolanos que estão relaxados precisam de acordar para vida e ir trabalhar, ir à luta. Cada um de nós tem de saber que os nossos sonhos estão nas nossas mãos, então temos de os conservar, não podemos deitar os nossos sonhos no lixo, senão seremos perdedores. Para terminar, quero agradecer à  vossa revista pela vossa visão e pela oportunidade que estão a dar-me de exprimir muitas coisas que estavam dentro de mim e poder falar sobre o meu negócio. Deus vos abençoe.” Finalizou Marcos Paulo.