Por: AlbinoTchilanda

Imagem: Domineves Anthony


A falta, e não funcionamento, em alguns casos, de balneários públicos, em Luanda, é apontado pela maioria dos jovens e adultos entrevistados esta semana, em Luanda, como a principal causa que os leva a urinar e defecar nas paragens, pontes, árvores e nas ruas. Quem trabalha nesse espaço diz que muita gente mesmo vendo o compartimento prefere mijar em paredes de instituições. O jurista Saturnino da Costa esclareceu que esta atitude configura-se na lei das transgressões administrativas e o infractor pode receber um julgamento sumário, com pena suspensa no valor de 6 a 25 mil kwanzas.

Lembramos que em 2014 o Governo Provincial Luanda havia colocado alguns balneários públicos nos locais mais frequentados pelo público para se evitar que essa prática se proliferasse. Foram precisos três anos para que os citadinos voltassem a solicitar às autoridades a entrada em funcionamento de mais balneários.

Na altura, a manutenção de tais espaços era, segundo o então director do Gabinete de Estudo e Planeamento, Jacob Moisés, citado pelo jornal O País, da competência de cada administração municipal, tendo em conta o seu espaço geográfico, a cultura da população local, tudo depois de receber as orientações do governo provincial.

Urinar e defecar na rua  além de  constituir atentado ao pudor, pode causar infecções pulmonares, respiratórias e, em caso das mulheres, provocar infecções urinárias, sem falar das consequências nefastas ao meio ambiente.

Anteriormente fazer necessidades na rua era um acto anormal e imoral. Hoje a sociedade convive com prática naturalmente, já que cresce cada vez mais o número de pessoas a urinarem e, até defecarem nas paredes, sucatas ou árvores próximas das paragens ou qualquer outro local público. 

Escondido, mas sempre virando a cabeça para trás, julga-se, receoso de ser visto, a  JdB observava um jovem, boa aparência física, camisa engomada e calças azuis, Domingos Manuel, urinando numa parede próxima da paragem dos táxis, nos Congolenses, ao lado da escola do Iº Ciclo, ‘Che Guevara’. Interpelado por nossa equipa, delicadamente, atendeu o pedido.

“Olha, mano eu venho do sálu (trabalho). Estava muito apertado e não tive mesmo como. As administrações deviam velar por isso”, justificava, ajustando o cinto das calças.

O jovem parecia preocupado com a equipa da JdB, talvez tivesse pensado que eram membros da Administração distrital do Rangel, mas depois da identificação, o funcionário público calmamente respondeu que vivia na Samba, na rua da esquadra e que queria tomar o táxi, mas estava muito aflito por isso, aproveitou-se da parede para urinar.

Beatriz é estudante e vive no Cassequel, entende  que os cidadãos não sabem cuidar dos bens públicos e aconselha governo a penalizar quem defeca ou urina em sítios não apropriados, mas por outro lado lamenta o não funcionamento dos balneários públicos.

“Os jovens deviam ter mais cuidado com os  bens públicos e isso não se trata só de casas de banho, até os autocarros. Uns fazem porque gostam de ser vistos a mijar ou defecar na rua, por isso o governo devia punir os refractários”, sugere a jovem estudante.

Andamos por algumas artérias da capital para sustentar a abordagem e verificamos que apenas em dois locais públicos as casas de banho funcionam, a da paragem do Largo das escolas, no 1º de Maio, que para utilizar paga-se 50 a 100 kwanzas para sua manutenção.   

Um dos jovens identificado apenas por Jojó, que cuida da limpeza da casa de banho do Largo das escolas, explicou que diariamente  15 a 20 pessoas utilizam o balneário.

“Pouca gente utiliza essas casas de banho. Os estudantes preferem fazer necessidade na parede. Nós cobramos para urina 50 kz, mas para o maior é 100 kwanzas”, esclareceu.

O jovem revelou que o preço cobrado serve para manter a limpeza do mesmo, já que, refere, a administração não cuida da higiene.  estando no local durante 15 minutos, apenas 3 pessoas precisaram dos serviços deste jovem. A JdB tentou roubar uma conversinha, mas alegaram estarem apressados.

“Aqui é mesmo assim são mais os senhores bem-vestidos que utilizam as casas de banhos, de resto vai para aquelas paredes (apontava as paredes das escolas), até os motoristas da transportadora TCUL não dão exemplo. Mijam mesmo na parede”, criticou.  

Outros entrevistados no mesmo local, alegaram a falta de dinheiro para pagar pelas necessidades fisiológicas por isso, qualquer sítio onde estiverem vão expulsando as secreções.

A senhora Muvumba, por exemplo, que vende bombó com ginguba, bem ao lado dos motoristas das transportadoras, diz não ter como tirar do pouco que ganha para pagar pelas necessidades por isso, mesmo na rua faz suas necessidades.

Afinal, este comportamento pode ser punível, segundo o jurista Saturnino da Costa. Em conversa com a JdB, o jurista esclareceu que esta atitude pode-se configurar na lei das transgressões administrativas e o infractor pode receber um julgamento sumário, com pena suspensa no valor de 6 a 25 mil kwanzas.

Num dos balneários, próximo ao Kero Gika, na Avenida Ho chi-min, ainda tivemos tempo para introduzir uma moeda de 50 kwanzas, mas para o nosso espanto, voltou a sair uma outra moeda no valor de 50 cêntimos .