Por: Redacção
Imagem: Mac


Nos últimos meses, em consequência da saída da residência oficial do Presidente da República do Palácio, o bairro Miramar, sito no distrito do Sambizanga, em Luanda, tem sido apontado como os aposentos definitivos de José Eduardo dos Santos, o muito próximo futuro ex-Presidente da República, que viveu por longos anos entre o Palácio da cidade alta e a zona presidencial do Futungo de Belas. Fomos saber, junto de moradores e trabalhadores do Miramar, como andam as expectativas no bairro da residência particular do ainda PR
O Miramar é um conhecido bairro de Luanda, considerado um dos que alberga grande parte de figuras de relevância política, económica e social do país e é também onde estão concentradas a maioria das embaixadas e residências diplomáticas da capital.

Na nossa ronda pela zona, encontrámos José Inácio, que trabalha como segurança de uma destas missões diplomáticas, que não tardou em se lembrar que “o mais velho já costuma vir aqui às vezes”, sr.  Inácio, inclusive, contou, já teve oportunidade de ver “muitas vezes a frota presidencial a passar”. “A segurança fica um pouco mais apertada, mas tirando isso é tudo normal, este já é um bairro calmo de natureza”, explicou.

Um morador que reside há mais de 25 anos na zona e preferiu não se identificar, confirmou esta “apertada” segurança, já que, lembra, normalmente quando o Presidente está em casa os largos e zonas de acesso público ficam vigiados por elementos que certamente fazem parte do seu corpo de segurança, facto que entende como sendo normal e até “benéfico” para os moradores. “Já o vi noutras ocasiões, mas nunca enquanto vizinho. Creio que agora que não estará no exercício das suas funções passaremos a vê-lo mais vezes”, espera ansioso, “até porque sei que ele gosta de praticar exercícios físicos e o bairro é propenso para isso”, rematou.

Cândido Freitas vive no Bairro Operário, e trabalha igualmente pela zona, porém numa outra rua, a menos de 500 metros da zona do Miramar (onde tem o seu pequeno estabelecimento comercial). Contou que enquanto comerciante, espera que a zona se valorize ainda mais, pois a acontecer, o seu negócio só tem a ganhar. “A maior parte dos estabelecimentos comerciais aqui são ligados ao turismo. Se a presença do Presidente for agregar valor à nossa zona, os negócios naturalmente irão crescer”, diz, “porque querendo ou não, a frequência de determinadas pessoas diz muita coisa sobre o estabelecimento”, explicou. “Não que haja uma separação, até porque o ideal seria se todos os bairros de Luanda tivessem a condição desse, independentemente dos que lá vivessem, mas temos aqui figuras como a Dona Maria Eugenia Neto (viúva do primeiro presidente de Angola), temos a casa de família do general Kopelipa e isso por si só faz as pessoas aderirem por considerarem que é um lugar seguro por maioria de razão”, esclareceu.

Hilário Santana, que é intermédio de vendas de imóveis no sector informal, entende que é provável que outras pessoas que tenham casas neste recinto, embora vivam noutros bairros, passem a considerar viver nele, porque esta é a dinâmica da preferência habitacional em Angola, segundo a sua experiência de trabalho. “Quando há um bairro novo, numa zona nova, normalmente os vizinhos e o meio envolvente contam mais do que as condições iniciais, até porque as pessoas acham que se os vizinhos tiverem influência o processo de urbanização é mais acelerado”, explicou.