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Circuncisão feminina. Afinal, evita traição ou elimina o orgasmo da mulher?

Texto: Elizabeth David

A circuncisão feminina é um ritual comum em algumas regiões de Angola. A prática consiste na remoção total ou parcial do clítoris, grandes e pequenos lábios. Justifica-se que a mesma ajuda a evitar que a mulher traia o marido. Em outros casos, previne-a das maldições. Médicos dizem que o acto é a principal causa das infecções vaginais e faz com que a mulher nunca mais atinja o orgasmo.

A prática ritualistíca é também conhecida por mutilação genital. É, geralmente, executada por um circuncisador tradicional com a utilização de uma lâmina de corte, com ou sem anestesia.

Apesar de não se haver dados exactos, muitas mulheres no país passam ou são vítimas da mutilação feminina, por causa de questões culturais, religiosas ou fluxo migratório.

Segundo o médido gineco-obstetra, Pedro de Almeida, além do clítoris, outros órgãos como os pequenos e grandes lábios também têm sido  removidos, apontanto, a religião, sobretudo, a islâmica- que defendem que a mutilação genital é feita para que a mulher preserve a pureza física, mantendo a virgindade até ao casamento-como um dos factores.

“Já outras sociedades aceitam a prática, porque consideram um acto normal, que garante a higiene sexual e fidelidade da mulher em relação ao marido polígamo, que pode ter várias parceiras reconhecidas pela sociedade”, disse o especialista.

Em Angola, as províncias do Moxico e as lundas são onde mais se observam a prática ritualística, e a justificação é quase a mesma: diminuir a líbido da mulher, para que ela evite trair o marido ou prevenir-se de maldições.

Embora se haja vantagens neste tipo de circuncisão, o acto é visto como uma das principais fontes das infecções vaginais, infertilidade, perda do prazer sexual, assim como a mulher pode nunca mais vivenciar o orgasmo, afirma o médico gineco-obstetra.

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