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Navio de pesca desaparecido em Angola apreendido com toneladas de cocaína em Espanha

Um navio de pesca de bandeira angolana, com o nome de ‘Simione’ — dado como ‘furtado’ desde Novembro do ano passado, quando se encontrava sob a protecção da Polícia Fiscal angolana —, foi capturado pela Guarda Civil de Espanha, nas Ilhas Canárias, com 3.300 quilos de cocaína no convés.

De cor preta e risca vermelha, com a chapa de matrícula 0022-26/29/SIM/2010, o navio Simione, segundo informações do Club K, já era, à data do seu desaparecimento, objecto de um litígio, envolvendo algumas empresas. Após ter cumprido um longo itinerário de perto de 3.500 milhas náuticas — entre Luanda, Gabão, Senegal e Espanha, portos onde a embarcação pesqueira chegou a atracar —, o Simione acabou fretado no Senegal, por uma organização galega ligada ao narcotráfico, com a finalidade de o enviar para um ponto indeterminado do Atlântico, como se fosse uma das centenas de barcos pesqueiros galegos.

Ainda de acordo com a mesma fonte, a Guarda Civil espanhola, que já andava no encalço da organização, fruto das investigações às idas e vindas dos membros da organização por África, montou uma operação que contou com a colaboração das autoridades senegalesas, mas também da agência anti-drogas norte-americana (a conhecida DEA) e da Agência Nacional Anti-crime do Reino Unido.

Além de se tratar de uma embarcação furtada em Angola, uma outra coincidência que salta à vista é o facto de a quantidade de cocaína apreendida no navio Simione, nas Ilhas Canárias, assemelhar-se à capturada pelo SIC, no Porto de Luanda, em Setembro de 2022, e cujo destino até hoje as autoridades angolanas não souberam explicar publicamente.

Navio era dado como furtado em Luanda

A notícia da apreensão da droga e, por conseguinte, do Simione, avançada pelo jornal espanhol El País, ajuda a compreender algumas ‘pontas soltas’ do até então “misterioso sumiço” do navio pesqueiro, que, desde o dia 31 de Outubro passado, se encontrava “estacionado” na unidade da Polícia Fiscal da Ilha do Cabo, em Luanda, na sequência de um mandado de busca, revista e apreensão emitido pelo Ministério Público junto do SIC.

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